sexta-feira, 30 de abril de 2010

A mídia, a moda e a juventude - partes 1,2 e 3

Questões para serem refletidas e respondidas.

1. O período da adolescência é caracterizado pela formação do caráter e do indivíduo. É uma fase delicada, em que nossas vidas são cercadas por inseguranças e escolhas por muitas vezes difíceis a se fazer. Na busca por nossa identidade, não é incomum que sejamos influenciados pelo meio a nossa volta, afinal somos seres sociais, e, como tais, interagimos.

Em um mundo onde televisão e internet fazem parte obrigatória da vida tanto social, profissional e acadêmica de uma pessoa, é improvável que a mídia não alcance-nos. Esta nos oferece variadas opções em campos como o da moda, do comportamento e da ética. Desse modo, na busca por encaixar-se na sociedade, o jovem acaba por aderir à padroes comportamentais e estéticos e, assim, não é 'excluído' do restante.
Afirmar que esta busca incessante é culpa apenas da mídia parece drástico demais. De certa maneira, é natural para o ser humano, em especial jovens à procra de uma identidade, buscar padrões para sua sociedade, de forma a sentir-se mais seguro e acomodado. A mídia, então, passa a ser uma ferramenta nesta procura, tornando a busca pela perfeição cada vez mais incessante, nos apresentando mulheres perfeitas, com vidas perfeitas, e nos induzindo a desejar o mesmo, pois supomos que, ao alcançar este objetivo, finalmente seremos felizes.
Portanto, como adolescente, posso concluir que sim, somos certamente influenciados pela mídia, que mexe com a nossa cabeça e nosso corpo. Mas é necessário reconhecer que existem muitos outros fatores de influência à nossa volta, e que cabe a cada um determinar o quanto de si mesmo será lapidado por eles.


2.“(...) Estou, estou na moda.
É doce estar na moda,
ainda que a moda seja negar minha identidade,
trocá-la por mil,
açambarcando todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Onde terei jogado fora meu gosto
e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais?
Por me ostentar assim,
tão orgulhoso de ser não eu,
mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o titulo de homem.
Eu sou a coisa, coisamente.”
Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade expressa exatamente o quanto a mídia influencia na identidade das pessoas. Estar na moda não significa estar feliz, e sim negar sua identidade em prol de padrões estéticos e comportamentais muito precisos, negar seu gosto pessoal pelo gosto da massa, pelo gosto imposto a nós. Segundo ele, na busca por esta perfeição material, nos transformamos em coisa, em meros robôs com gostos idênticos, 'artigos industriais", ou seja passamos a SER O QUE COMPRAMOS. Ainda me arrisco a completar: passamos a ser, através da mídia, pequenas ferramentas de propaganda para as marcas globais. Nos transformamos em outdoors ambulantes, meros instrumentos para as grandes indústrias.

3. Infelizmente, a realidade de Carlos Drummond de Andrade é comum à maioria da populaçãoque vive a globalização. Poucos entendem que,para ser feliz, não é necessário aderir a qualquer padrão. PODEMOS SER FELIZESDO JEITO QUE SOMOS! Não é preciso perder a identidade própria na busca pela perfeição. Ser igual, ter os mesmos comportamentos, nos faz regredir do patamar de animais racionais, nos tornamos uma espécie como qualquer outra, com os mesmos instintos e sem desejo próprio.

É difícil não ser influenciado pela mídia, mas podemos minimizar esse efeito de uma maneira muito simples: nos satisfazendo com o que somos, sendo felizes desse jeito, nos apegando à simplicidade, esquecendo um pouco do material. A felicidade não está apenas no nosso corpo, está também nas nossas mentes, no equilíbrio entre os dois. Além disso, a beleza não está apenas na televisão, mas nos olhos de quem vê. Quem nunca vê o mar pela primeira vez o define como perfeito, assim como quem vê as pirâmides ou o Himalaia, ou seja, o diferente também nos é belo! Quando passamos a ser iguais, não vemos mais a beleza singular de cada um. Afinal, o que nos faz humanos é a diferença!

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